Isabel Noronha é um dos nomes fundamentais do cinema moçambicano e uma das primeiras mulheres moçambicanas a dedicar-se à realização. Nascida em Maputo a 18 de março de 1964, entrou aos vinte anos, em 1984, no Instituto Nacional de Cinema, onde passou por todos os ofícios do jornal cinematográfico semanal Kuxa Kanema — de assistente de produção a realizadora. Foi membro fundador da Coopimagem, a primeira cooperativa independente de vídeo de Moçambique, e da associação de cineastas AMOCINE, onde é responsável pela formação.
O seu documentário Ngwenya, o Crocodilo (2007), sobre o pintor Malangatana Valente Ngwenya, foi distinguido pelo Festival de Cinema de África, Ásia e América Latina de Milão como melhor documentário (2009). Os seus filmes venceram ainda o Prémio Kuxa Kanema de melhor filme moçambicano (Trilogia das Novas Famílias, 2007), o primeiro prémio do Documenta Madrid (Espelho Meu, 2011) e, com Camilo de Sousa, o prémio de melhor documentário nos XXX Caminhos do Cinema Português (Coimbra, 2024), com À Mesa da Unidade Popular.
Em paralelo com o cinema, licenciou-se em Psicologia Clínica, fez mestrado em Saúde Mental (Universidade de León, 2007) e doutoramento em Antropologia Social (UNICAMP, Brasil, 2018), e é investigadora associada do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A pintura é a faceta mais recente do seu universo visual — apresentada publicamente em Idasse & Friends — Colours of Mozambique.
