Ídasse Ekson Tembe Malendza nasceu no Vale de Infulene, Maputo, a 1 de julho de 1955. Pratica desenho, pintura, cerâmica e escultura. Em 1979 concluiu o curso de Animador Cultural no Centro de Estudos Culturais, sob orientação de Malangatana e Domingos Manhiça, com formação em Antropologia, História da Arte Moderna e Africana, Música, Fotografia, Teatro, Pintura, Cerâmica, Desenho e Linogravura. Sob supervisão de António Quadros, concluiu o Curso de Comunicação Gráfica. Expôs pela primeira vez numa coletiva na Feira Internacional de Maputo (FACIM), em 1977, e frequentou o ateliê de Inácio Matsinhe.
Trabalhou no Instituto Nacional de Cinema, onde fundou o Departamento de Arte. Em 1984 tornou-se membro fundador do movimento Charrua — a lendária revista da Associação dos Escritores Moçambicanos, de que fez as ilustrações, ao lado dos escritores Eduardo White, Ungulani Ba Ka Khosa e Hélder Muteia. É membro do Núcleo de Arte, da Associação Moçambicana de Fotografia, da Associação de Escritores Moçambicanos e do coletivo fundador Habitantes do Desenho. Ao longo da carreira participou em mais de cem exposições, integrou júris e comissariou várias mostras — nomeadamente Habitantes do Desenho na Bienal Internacional de Maputo (Centro Cultural Português, dezembro de 2020). A sua obra encontra-se em coleções em Moçambique, Nigéria, África do Sul, França, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Itália, Dinamarca, Japão, Áustria, Suécia e Brasil.
A sua primeira individual de desenho realizou-se em 1986, na Associação dos Escritores Moçambicanos, seguindo-se Inhambane (1986), Maputo (1987) e, na região de Paris, Malakoff (1988) e Arcueil (1990); em 1990 a sua obra percorreu também o Reino Unido na itinerante Art from the Frontline e em 2001 apresentou a individual Assombramentos na Perve Galeria, em Lisboa. O seu desenho valeu-lhe o 1.º Prémio da Anual do Museu Nacional de Arte (1991), o 2.º Prémio da Bienal TDM (1995) e os 1.ºs Prémios MUSART-TDM em 1997 e 1998. Desde a abertura, em 1989, as obras de Ídasse integram a exposição permanente do Museu Nacional de Arte, em Maputo, ao lado de Malangatana, Alberto Chissano, Bertina Lopes e Reinata Sadimba. A historiadora de arte Alda Costa cita-o entre as figuras de referência do desenho em Moçambique, a par de Malangatana e Shikhani; em 2013 foi co-curador, com Famós, da primeira Habitantes do Desenho, no Camões — Centro Cultural Português, em Maputo.

Maputo, Feira Internacional (FACIM) — primeira exposição coletiva, 1977
Maputo, Núcleo de Arte — exposições coletivas, 1980–1984
Maputo e Inhambane — primeiras individuais de desenho, 1986–1987
Malakoff e Arcueil (região de Paris) — individuais, 1988 e 1990
Reino Unido — Art from the Frontline, exposição itinerante, 1990
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian — coletiva, 1997
Maputo, Centro Cultural Português — Mãos e Gestos, individual, 1998
Lisboa — Expo'98, 1998
Lisboa, Perve Galeria — Assombramentos, individual, 2001
Maputo, Camões — Centro Cultural Português — Tempo da Arte (inaugurada pelo Primeiro-Ministro de Portugal)
Maputo, Consulado Geral de Portugal — Intersecções, 2009
Maputo, CCP — Bienal Internacional de Maputo, Habitantes do Desenho, 2020–2021
Maputo, Fundação Fernando Leite Couto — conversa com o artista, 2022
Lisboa, UCCLA / Embaixada de Moçambique — Moçambi-Cá, 2023
Habitantes do Desenho, Bienal Internacional de Maputo, 2020
Estados de alma das artes em Moçambique, Ministério da Cultura, 2017, p. 107
A. Costa, Arte em Moçambique, Lisboa, Verbo
P. Matsinhe, Jornal Domingo, Maputo, setembro de 2022