Júlia Nacheque pertence à notável escola de ceramistas macondes do norte de Moçambique — o círculo formado em torno de Reinata Sadimba, no qual a tradição reserva o barro às mãos das mulheres e cada geração o reinventa. Com Reinata Sadimba e Merina Amade forma o trio de ceramistas macondes que, como escreveu a imprensa portuguesa, 'decidiu meter as mãos no barro e com ele retomar e actualizar as tradições daquela sociedade matriarcal do Norte de Moçambique'.
Nas suas mãos, o barro torna-se veículo de narrativas femininas e múltiplas maternidades — figuras e potes marcados com os motivos geométricos que evocam rituais, espíritos e fertilidade. Em 2025 participou na Bienal de Arte Contemporânea da Maia (Fulgor, Fórum da Maia), ao lado de Reinata Sadimba, Merina Amade, Malangatana, Alberto Chissano e Gonçalo Mabunda.
Maia — Bienal de Arte Contemporânea, Fulgor, 2025 (com Reinata Sadimba e Merina Amade)